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Como funciona a câmera #2 – ISO e sensibilidade

7 de abril de 2015

Neste texto você vai saber como funciona o ISO (sensibilidade) da máquina fotográfica e quais efeitos da imagem ele controla. Este artigo é composto de  5 partes:


Quando eu era pequeno a minha mãe me mandava ir à loja de fotografia comprar filme fotográfico sempre que houvesse alguma festa em casa ou quando fôssemos viajar. Quando chegava lá e pedia pelo filme, a atendente perguntava “Qual ISO você quer?” e eu, claro, não tinha ideia do que ela estava falando e fazia aquela cara de “não entendi, me explica”. Ela então perguntava: “você vai fotografar à noite numa festa ou de dia numa viagem à praia”? E então de acordo com a minha resposta, ela me entregava um filme com uma sensibilidade ISO mais indicada para o tipo de situação que eu fosse fotografar.

A Sensibilidade ISO é indicada por números inteiros (ex: 100, 200, 1600, 3200, etc) que apontam o nível de sensibilidade do filme ou sensor à luz. Quanto maior o número, maior a sensibilidade. Ou seja, no exemplo de quando eu era criança, se fosse fotografar em uma praia com sol, utilizaria um filme ISO 100, e se fosse fotografar uma festa de aniversário à noite, utilizaria filme ISO 800.

Nada nos impede de usar um ISO alto em ambientes de muita luz e um ISO muito baixo no escuro, como você vai descobrir nos próximos artigos. Mas em geral funciona assim: quanto maior o ISO melhor o sensor capta a luz disponível. Portanto, em cenas escuras, tende-se a aumentar a sensibilidade ISO da câmera (para que a foto não fique escura) e em locais claros tende-se a diminuir o ISO (para que a foto não fique superexposta ou “estourada”).

Efeitos gerados pelo ISO

Utilizar altas sensibilidades ISO nos ajuda a fotografar em ambientes cada vez mais escuros, mas em contrapartida, obtemos um efeito muitas vezes indesejado em nossas imagens: a granulação ou ruído. Quanto maior é o ISO, maior será o ruído gerado na imagem. Veja o gráfico:

Gráfico - Sensibilidade ISO e Granulação

A quantidade de granulação em uma imagem depende muito da câmera utilizada. Câmeras mais caras e mais modernas conseguem reduzir cada vez mais o ruído de granulação em ISO’s mais elevados, mas em geral toda câmera terá granulação a partir de determinado grau de ISO. Faça o teste na sua e descubra você mesmo os limites da sua câmera.

Abaixo, 2 exemplos de fotografias realizadas em uma câmera Canon 5D Mark II. Na primeira imagem foi utilizado um ISO muito baixo. Na segunda, um ISO muito alto, gerando ruído e grãos.

Foto com ISO 100 (baixa sensibilidade). Nenhuma granulação.

Foto com ISO 100 (baixa sensibilidade). Nenhuma granulação. Ver detalhe da imagem ampliada no canto inferior direito.

 

Foto com ISO 6400 (alta sensibilidade). Taxa de ruído elevada. Ver detalhe da imagem ampliada no canto inferior direito.

Foto com ISO 6400 (alta sensibilidade). Taxa de ruído elevada. Ver detalhe da imagem ampliada no canto inferior direito.

Porque a granulação ocorre?

Antigamente no sistema analógico, a sensibilidade do filme era definida pelo tamanho do grão de sal de prata contido no filme. Quando maior o número ISO, maiores os grãos de prata do negativo. Um grão de prata maior capta mais luz que um grão menor. Ao se utilizar números ISO muito altos, começava a ser possível ver cada grão queimado dentro do negativo, e isto causava a tão falada granulação ou ruído na imagem.

Hoje na câmera temos um sensor digital ao invés de um negativo com químico, por isso o grão digital funciona de maneira um pouquinho diferente. Mais uma vez vou utilizar um exemplo da família: na década de 80 eu tinha um tio que era fanático por um time de futebol Europeu. Para acompanhar os jogos, ele tinha um rádio modificado, onde a potência da antena foi ampliada. Ele subia com este rádio no alto de uma montanha e de lá conseguia captar a transmissão do jogo transmitida da Inglaterra. Mas como o grau de captação da antena era muito maior para conseguir pegar o sinal que chegava fraco da Europa, ele também pegava outras rádios, além de outras interferências e a transmissão vinha cheia de ruído, com chiados e interferências.

O que acontecia com o rádio do meu tio é exatamente o que acontece nos sensores de nossas câmeras. Quando aumentamos o ISO, aumentamos a potência de cada célula do nosso sensor. Em sensibilidades muito altas outras informações começam a aparecer na imagem: raios ultra-violeta, ondas de rádio e de microondas, calor, etc. Estas informações começam a interferir na informação de luz, e daí o ruído na imagem.


Como saber que ISO usar?

Na hora de fotografar, faz-se um balanço entre o ISO, velocidade de obturador e abertura de diafragma para alcançar a luz ideal. Mas tudo isto fica para o último artigo, onde falo de fotometria.

Veja outros artigos parte desta série para aprender a operar a sua câmera no modo manual:

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6 comentários neste post

  1. Nicolle disse:

    Olá, tudo bem? Muito obrigada por esta série de artigos. Seu site está me ajudando muito, e nunca aprendi tanto sobre fotografia com tanta facilidade e rapidez. O design é limpo, as cores bem escolhidas e as imagens bem feitas. Muito obrigada por todo o trabalho!

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